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terça-feira, 29 de março de 2011

DESVENTURAS DE UM DEDO PODRE

Acho que todo mundo, uma vez ou outra na vida, dá o famoso "passo errado"! Afinal, não dá para adivinhar que o mocinho com cara de 24 na verdade tem 17 anos! Eles ainda não vem com uma plaquinha escrito "dimenor" no peito! Mas, quando seu próprio pai te chama carinhosamente de "curva de rio", alguma coisa deve estar errada!

(Tá, antes que alguém cornete eu vou confessar: eu sabia, EU SABIAAAAA!!! Eu sabia que o menino tinha 17 anos e peguei assim mesmo! Mas, se eu falasse isso eu não ia conseguir o gancho que eu precisava para o texto!) Continuando...

Já comentei com vocês sobre a minha patológica falta de mira. E, cheguei à conclusão que trata-se realmente de uma doença e degenerativa: com o passar dos anos meus dedos indicadores (é, os DOIS!) tem ficado cada vez mais tortos, já estão parecendo quase um parentêsis! O da mão direita cada vez mais envergado para a direita e o da mão esquerda cada vez mais apontando para a esquerda! Apontar para frente ninguém quer!!!

Isso, por si só, já seria um grande problema! Mas, como desgraça pouca é bobagem, no meu caso esse defeito vem acompanhado do fator "quem você acerta"! Ai, tá me dando vergoinha... Digamos que meus dedinhos tem um gosto bastante exótico: jogador de futebol da 8a divisão, desempregado, guardinha de banco, "dono" de uma galeria que vende produtos genéricos... garçons e seguranças então, melhor nem contar!

Um dia desses fui à uma balada open bar! Se alguém ai aprendeu a se comportar nesse tipo de evento, por favor, me dá uns toques, porque eu só passo vergonha! Baixa o pivete esfomiado em mim (nesse caso, ele é mais pé de cana que esfomiado!) e eu vou bebendo tudo que aparece na minha frente. Carregar dois copos para cima e para baixo é básico! Afinal, vai que acaba a bebida antes de eu conseguir entrar em coma, né?!

Nesse dia em particular, fiquei transtornada! Mas, verdade seja dita, nem fiz tão feio assim! Galera tava caindo e vomitando em tudo quanto é pia! Eu "só" estava locaraça e, em certa altura, me vi atracada com um mocinho!

São tantas cagadas que o meu sistema operacional, para me proteger de um colapso, desenvolveu um mecanismo de defesa que seleciona memórias. Assim, no outro dia, eu só consigo lembrar, por exemplo, que falei muita bosta, mas não lembro exatamente quais foram as bostas. Isso acaba me poupando de tentar suicídio ou morrer de vergonha! Contudo, apesar de ser testado à exaustão, esse mecanismo ainda não é infalível! Sempre aparece um "flash" ou outro para me atormentar!

No dia seguinte à balada open bar, acordei com uma espécie de mantra na cabeça: pedreirocasadoisfilhos, pedreirocasadoisfilhos, pedreirocasadoisfilhos... Gente, meu eu tava querendo me sabotar! Não era possível... que porcaria de sistema é esse que deixa a pessoa lembrar de uma coisa dessas?!!!

Fiquei gelada na hora! Só vinha a imagem do meu pai balançando a cabeça, à mente! Liguei para uma amiga do outro lado do mundo na esperança de ouvir o bom e velho discurso do consolo: "desencana... todo mundo faz cagada de vez em quando!" Ah, mas a bonitinha não leu o script direito, mandou um: "nossa, tá até me dando palpitação ouvir suas histórias ultimamente!" Como assim?!! Não bota mais pilha!!! Quer me desestabilizar de vez?!!

Bom, não tinha dado tempo de eu prometer que nunca mais ia beber nem sair de casa, o celular tocou. Meu alter ego me sacaneia muuuuuito... Não basta escolher a dedo, tem que dar o celular para o cara!!! Não atendi nenhuma das QUATRO vezes que o moço ligou.

A esta altura, não me restava alternativa senão conversar com as companheiras de balada para saber a dimensão do bafo. Resumindo, todo mundo tinha dado uma escorregadela (nada como não ser a única nessas horas!), das quatro só uma tinha visto eu ficando com o cara e me garantiu que ele era SEPARADO. Finalmente um pouco de alento! E, como bom ser descontrolado que sou, nessa hora já começa a me dar coceira para aprontar denovo!

No meio da semana o pedreiroseparadoisfilhos ligou novamente. Já sem tanto medo, atendi o celular e marquei de encontrá-lo! Não façam essas caras, eu já avisei que não tenho limite!

A cidade do moço é daquelas que ficam dos dois lados da estrada, sabem?! De um lado fica a cidade e do outro o bairro, digamos assim. Eu, particularmente, só conhecia a cidade. Mas o moçoilo queria me levar em um barzinho "doládelá" para tomar a tal torre de chopp. Pensei, pensei e... vamos que vamos!!! Tô na pista para negócio!

Uma chuva que Deus mandava... quase não dava para sair do carro. Mas, todo ser aventureiro tem que se adaptar rápido ao ambiente e foi exatamente isso que eu fiz! O barzinho era simples, mas muito limpinho, a torre de chopp era gelada e barata e, superado todo o estranhamento inicial de se ver novamente alguém que não se conhece, o papo se desenrolava aos trancos e barrancos.

Ah, mas derepente todas as luzes vermelhas, holofotes, sirenes e tambores começaram a piscar e a soar!

Eu explico: um rapaz se aproximou da mesa e perguntou se nós sabiamos quanto estava o jogo, ao passo  que o pedreirodoisfilhos respondeu que não. O moço então, muito engraçadinho, comentou que só homem muito apaixonado não presta atenção no futebol e eu, muito inocentemente tosca, dei risada. Pra quê?!!!! O doisfilhos começou a perguntar se o rapaz tava me paquerando, de onde eu conhecia ele...

Eu, embasbacada com a reação, olhei para trás, para o moço, me perguntando se eu tinha ficado louca de vez. O doisfilhos se revoltou ainda mais: porque vc fica olhando para trás, fica olhando para outro na minha frente, blábláblá... Depois disso emburrou e não falava mais comigo. Momento Almodóvar total!

Fiquei super revoltada, sem entender nada... Nisso o rapaizinho (que devia estar com comixão) passou para ir ao banheiro. Chamei ele na hora, o doisfilhos arregalou os olhos e eu perguntei: moço, faz favor, você conhece algum de nós dois? O rapaz, também sem entender nada, olhou bem para a gente e disse que não, que ele só queria saber quanto estava o jogo.

Vocês querem saber qual foi a reação do doisfilhos?!!! Melhor vocês sentarem! Ele quis saber se eu não gostava de "namorado ciumento"!!!!! É pra acabar... "Namorado"??? De onde saiu isso, minha gente?!!! As vezes eu acho que é só comigo que a bizarrice nunca tem fim...

Eu sei que eu posso parecer sem noção, que as vezes eu chuto o balde com um pouco de força demais, mas eu tenho muito apego à minha vidinha severina! Tô fora de gente louca!

quarta-feira, 23 de março de 2011

QUANDO A SIRENE TOCAR, FUJA!

Época de faculdade. Começo de ano. Toda solteira que se preze (e até as nem tão desimpedidas assim) está preocupada com uma única coisa: se divertir muito na primeira semana de festa-todo-dia e dar aquela espiada nos “bixos” gatinhos que, por favor, Deus!, tenham entrado.

Na minha faculdade, pra ser bem sincera, o tal moreno, alto e outras cositas más nunca apareceu. Se apareceu, resolveu se enfear para não diferenciar na multidão. E foi nesse meio pouco frutífero que eu vi o Mr. M. Bonitinho, fofoleto, sabia dançar... bem meu número! Mas, para a minha surpresa (e de outras), o rapaz não dava moral pra ninguém!

Todo mundo já estava se perguntando qual seria o seu problema, até que descobrimos a existência de uma namorada. Até aí, tudo bem... mas o fato é que o infeliz tinha uma namorada, pasmem, na HOLANDA!!! Era uma daquelas grandes histórias de amor, regada a muito sofrimento pela distância, muito dinheiro gasto com a conta telefônica e quase nenhum vuco-vuco, por assim dizer.

E quem pode com tanto amor assim, não é? Se ele dava seus pulos, tudo era feito com descrição e eu não queria me meter nisso. Assim, mais do que depressa, tirei meu timinho de campo e resolvi ser só amiga do moço, já que ele era mesmo muito gente boa.

Assim o tempo passou, eu me metendo em diversas encrencas amorosas e o Mr. M. iludido feliz com a sua namorada fantasma. Até que um belo dia, depois de mais um relacionamento tragicômico, este digno de anos de terapia (quem sabe não renderá até um novo post!), eu resolvi desencanar! É, desencanar dessa vida de tentar entender os homens e cair de vez na famosa “gandaia”!

Fui pro jogos da faculdade prometendo aprontar pra valer, só pegar caras desconhecidos e nem dar moral para os arroz-com-feijão já conhecidos. Mas foi aí que o Mr. M. apareceu e me beijou! É, assim mesmo, do nada! E pior, ficamos pagando de namoradinho durante a balada toda, acabando com meus planos de independência...

No dia seguinte, minhas amigas estavam felizes, já que todo mundo gostava dele e achavam que, enfim, eu tinha acertado a mão! Eu ainda estava sem saber o que pensar, mas, ponderando bem, a situação podia ser ainda interessante, afinal, ele tinha uma namorada (ainda que quase imaginária) e eu não teria que lidar com sentimentos, cobranças e o blábláblá todo de um casal.

O romance continuou com ele cada vez mais fofo! Até que um belo dia, deitado na minha cama, o moço começou a ficar meio pensativo. Uma sirene de alerta, quase imperceptível, começou a soar na minha cabeça. Mr. M., então, levantou, tirou a aliança da mão e, olhando pra ela, disse: isso aqui não faz o menor sentido!

Ok, que não fazia o menor sentido ele ter uma namorada do outro lado do planeta, todo mundo já sabia! Mas descobrir isso do meu lado, na minha cama, não tava nada bom!! Como assim?? E o nosso caso sem comprometimento, como ia ficar se a gente começasse a ponderar as coisas?? Nessa hora, a tal sirene já estava tocando insanamente na minha cabeça!!!

Depois que o Mr. M. foi embora, eu tomei uma decisão: era hora de acabar! Mas como eu ia fazer isso com ele? Tão bonzinho, tão gente boa... Eu não queria ser a chata da história, mas a sirene não parava e eu sabia que era isso que devia ser feito! À noite ia ter uma festa e eu tinha que terminar o caso.

Mas, cara leitora, a carne é fraca, não é! E na tal festa, ele foi chegando pro meu lado e eu me esqueci de todo o plano bolado durante a tarde. Contrariando todo o barulho infernal da maldita sirene na minha cabeça, fiquei com ele. Na mesma hora ele disse que iria pegar bebida pra mim e eu fiquei esperando. Esperando. Até que uma hora, olhei do outro lado da festa e, pronto, a sirene se calou! Um silêncio mortal se fez, no maior estilo “eu te avisei”! Lá estava o Mr. M. beijando outra, na minha frente!!

Não, não, não... não pode ser! Cutuquei uma amiga. Ela apertou os olhos e disse: é, é o desgraçado mesmo!!! A amiga, tomando todas as minhas dores foi até lá e bateu nas costas dele... você, leitora otimista, acha que o infeliz se importou?? Claro que não, continuou no maior amasso com a menina, nada fantasma dessa vez! Por um momento achei que os dois e a parede fossem se tornar uma coisa só!!!

E eu, euzinha, que não queria magoá-lo, que não sabia como fazer pra terminar tudo, tive uma aula mais do que prática sobre o assunto! E quem chorou por mim?? Parece que o infeliz até chorou um pouco depois, mas minha lição já estava aprendida: bonzinho ou não, QUANDO A SIRENE TOCAR, FUJA!