A arte de conquistar e ser conquistada tem feitos, na maioria das vezes, tragicômicos! Na hora é trágico, depois vira cômico. Eis o espaço para compartilhar o choro depois da 'digestão' dessas situações, porque na verdade quem chora por nós somos nós mesmas... Trocar experiências pode nos ajudar a prevenir catástrofes e contribuir para que os alertas vermelhos, que com certeza todo ser existente na terra têm, não passem despercebidos!
domingo, 10 de abril de 2011
O BURACO É AINDA MAIS EMBAIXO?
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Quem cedo madruga!
É pessoal. Não é fácil ser mulher e ter jornada dupla, tripla... Acorda, leva filho para a escola, trabalha, busca filho, faz curso, lê bons livros, vai ao teatro, arruma casa, cozinha e ainda temos que estar lindas, jovens, com o bumbum empinadinho, cabelo e vestimenta impecáveis e sem rugas! É possível??? Ainda me questiono bastante. Mas, enquanto o lobo não vem com a resposta, podemos ficar aqui caçoando da nossa própria sorte.
Lendo os posts do pedreirodoisfilhos e do cantor da amiga Severina, lembrei-me das profissões dos homens (na época moleques) que já fizeram parte da minha existência pombástica.
Bom, do barman vocês já ficaram sabendo pela minha última postagem. O Senninha era um bom companheiro, pois ganhei várias bebidas na ocasião. Mas também gastei muito.
Como os mocinhos dos coquetéis ficam à vista, a mulherada cai matando.
Inclusive, daquela vez, uma venezuelana desagradável quis roubar a mistura da minha marmita e começou a jogar charme para cima do Coiote Ugly. Começou a pedir bebida sem parar só para me derrubar antes e ficar com o moçoilo. Mas eu sou de raça, não desisto fácil. Tanto é que bebi mais que ela e a pus para dormir.
Mas também fiquei tão bêbada que nem consegui ficar com o alvo.... Acontece.
Além do garçom, apresento o animador de dia do terror. Um moço bom, inteligente, mas que passava o tempo vago dentro de um caixão em eventos. Se vestia de morto, fazia uma boa maquiagem, chegava com a sua turminha do Penadinho e passava horas lá sem se mexer... Vai saber o que passava na cabeça da pessoa nesse momento. Preciso falar que não deu certo????
Na lista de classificados, o próximo também já foi introduzido a vocês. Aquele que me deu o melhor dia dos namorados da minha vida virou ator, digamos assim.
Um belo dia, minhas amigas me ligaram e pediram para que eu colocasse a TV em certo canal. Eis que lá estava o meu ex-colocador de chifres, fantasiado, esdrúxulo, achando-se o engraçadão da Praça é Nossa, vendendo máquinas de raspadinha. Sim, aquela bebidinha para crianças, groselha e leite condensado.
-Sabe aquela propaganda da raspadinha??? O cara era ex-namorado da Pomba.
-Sério, Pomba?
-Sim, e além de ridículo ele tinha outra namorada. Sim, eu sou uma troxa.
Quis apagar meu passado.
Uma vez pensei que eu podia sair ilesa do estigma de ter ficado com um boleiro. Quanta ingenuidade! Quis dar de espertona, mas não escapei. No meio da noite descobri que as coxas torneadas eram coxas de jogador.
Me disse com orgulho que era da 178a divisão de um time do exterior. Olha eu internacional!
Mas o papo não durou muito, porque, enquanto eu fui pegar uma cerveja, o moço saiu para comer uns espetinhos durante a festa. Quando digo uns, entendam seis espetinhos seguidos. Daqueles, carne de gato, que a gente passa na farofa... Não satisfeito com os “petiscos”, ele preferiu ir jantar em algum lugar, pois SEIS espetinhos não matam a fome de ninguém, não é mesmo?!
Abandonei a carreira de tiete de comedor de espetinhos e resolvi progredir. O outro era moço inteligente, com faculdade. Era meio estranho, um pouco vesgo, mas as pessoas não o repudiavam logo de início. Esse, ao invés de seguir a profissão para a qual estudou, preferiu ser comerciante. Ser dono. Ter seu próprio negócio.
No caso, um motel.
Eu iria ser primeira dama de motel se continuasse com ele. Perdi mais uma chance!
Depois me disseram que ele virou ator... Só não sei se as tomadas eram gravadas em cenários tradicionais ou no próprio estabelecimento dele...
SEM TREMER, POR FAVOR
Vários anos depois, numa dessas armadilhas do destino, uma amiga minha namorava um amigo dele e nós nos reencontramos em uma balada. Eu, mamadaça para variar, fiquei super feliz em vê-lo e esbanjei simpatia. Ficamos de novo!
Dessa vez, contudo, Mr Alfie pareceu ficar encantado comigo! Pediu meu telefone e, como eu estava de férias, ligava todo dia para me chamar para ir ao cinema, para tomar sorvete, para ver eu beber cerveja (é, ele não bebe nada alcoólico!), para passear, para ver estrelas, para ficar conversando à toa...
Eu não estava muito afim de nada carnal, se é que vocês me entendem, a pegada não era aquelas coisas... Mas, graças ao meu grande poder de negação e na falta de coisa melhor para fazer, fui me enrolando cada vez mais!
Um dia, então, Mr Alfie me disse que estava tomando conta da casa de um amigo que tinha ido viajar e me chamou para ir lá assistir um filme. Tocaia total! E eu, que não sou de agitar e depois arregar, fui igual a um frango para o abate!
Mr Alfie sequer se deu ao trabalho de ligar a TV! Logo que eu cheguei já quis me mostrar a casa do amigo e acabamos parando no quarto. Blusa pra lá, cotovelada no olho, calça pra cá, esse moço começa a tremer! Gente, um calor, um quarto abafado dos infernos, tava tremendo por quê?!!
Fiquei preocupada... O moço tremia que nem vara verde! Tentei dar um chega pra lá nele, mas o bixão era um treme-treme obstinado! Perguntei então se ele estava com frio (que tosca!) e ele respondeu: Não... acho que eu tô um pouco nervoso... Meu, eu não sabia se eu ria ou se eu chorava!!!!
O cara era bem mais velho que eu!!! Tava nervoso por quê?!! Será que tava com medo de mim??? Ele que tava forçando a barra! Fiquei me sentindo o lobo-mau... Horrível! Bom, nem preciso dizer que ele foi mais rápido que o mocinho da Miss Madre, né?!!! Que falta de recurso...
Mas é claro que a bizarrice não para por ai!!! Na maior cara lavada ele, de imediato, me perguntou: Foi bom para você?! Peluamordideus, quem pergunta essas coisas?!!! Se o cara não sabe se você curtiu ou não é porque a resposta é meio óbvia, vocês não acham?!!!
Vou falar a verdade, eu não tenho a intenção de traumatizar ninguém, mas também não vou ficar mentindo para encher a bola de zé mané, não! Nessa hora não consegui segurar a risada e respondi: Já tive melhores! Qual foi a reação dele??? Achou que eu estava zoando!!!!!! Só comigo...
Depois disso brochei total... Não podia nem lembrar da cara dele, mas vai entender porque o moço apaixonou. Mr Alfie não parava de me ligar e eu comecei a "esquecer" o celular desligado! Ele não teve dúvida, começou a ligar na minha casa!
Comecei então a dar umas desculpas esfarrapadas para não sair com ele, também não adiantou, ele continuava insistindo. Essas coisas me matam... Eu não sei dar fora nos outros! Acreditem, apesar de já ter tomado todo tipo de cortada eu ainda não aprendi como se faz... Eu fico com dó e começo a tentar me convencer que eu sou muito radical, que não custa nada dar uma segunda chance para o moço se redimir...
Péssima idéia em todos os sentidos!!! Dessa vez Mr Alfie nem tremeu, mas num rolava... e, como bom homem que não sabe ler nas entrelinhas, ele entendeu a segunda tentativa como um sinal de que onde passa um boi passa toda a boiada! Ai que ele não parava! Armou para me dar um ovo de páscoa enorme, um inferno... Tive que chamar ele para "A CONVERSA".
Ai, gente, que preguiça... Eu não queria ficar com ele, mas também não despresava o cara. Não queria machucá-lo... Mas como se explica para um rapaz insistente que você não está a fim sem ofendê-lo??? Mr Alfie aceitava de um tudo para ficar perto de mim, até ser meu amiguinho! E eu e minha dó entramos em outra fria!
Não tem nada mais insuportável do que um "amiguinho" esperando você ficar bêbada para te pegar! Dá para sentir a tensão no ar, você fica que nem um rato esperando o bote da cobra! Ah, isso começou a me irritar profundamente... Poucas coisas me deixam tão puta quanto me sentir acuada. Deixei a dó de lado e chutei o balde! Não atendia nem o telefone de casa, minha irmã que se virasse para arranjar uma desculpa e quando ele conseguia me pegar na trairagem (ele era capaz de ligar de outro telefone para não ser pego na bina!) eu era super seca.
Demorou mais de um ano, mas finalmente ele desistiu! Assim, de vez em quando ele reaparece e pergunta se eu não quero matar a saudade dos "bons" e velhos tempos! Mereço...
quinta-feira, 7 de abril de 2011
O barato é louco e o processo é lento!
Tá bom vai, a gente abre mão de algumas coisas que dão trabalho ou que a natureza não ajudou muito, como ser linda e gostosa, mas o resto a nossa própria racionalidade exige de nós: que sejamos seres que beirem a perfeição!
Embora já tenhamos passado por 'muitas e boas' (vide histórias do nosso blog que não me deixa mentir), e a nossa racionalidade teime em dizer que não existe (aqui é onde as sirenes vermelhas piscam loucamente!), uma coisa é fato: Temos dificuldade de abrir mão da busca incessante da 'tampinha da nossa panela' - e olha que eu estou sendo humilde, "tampinha" da panela!
Nessa busca, a gente vai abrindo as portas da percepção, ampliamos o nosso campo de visão, quebramos preconceitos! Quase todos os homens tornam-se seres possíveis! E então começamos a paquerar em todos os lugares imagináveis e, até uns anos atrás, inimagináveis. Particularmente comecei a paquerar em vários lugares, no metrô, na padaria, no elevador, nas obras civis (pra não falar pedreiro), no trânsito, etc... e aí entra a minha história de hoje. Arrumei um paquera no trânsito!
Parada na avenida, eis que um carro cheio de mulheres sente o cheiro de um carro cheio de homens. Vou mais devagar e logo é iniciada a paquera de fato. Inicialmente paquerei um, mas foi o outro que me paquerou (olha o dedo torto ai gente!). Tudo bem, ele também era interessante. Enquanto andávamos e parávamos, graças ao trânsito de São Paulo, foi possível pegar o telefone do também gatinho e ligar chegando em casa.
Mr. L. era um cara legal, cheio de qualidades e mais vivido (quero dizer que com 10 primaveras a mais do que eu). Achei ótimo, estou cansada de MULEQUES! É o tipo do cara que você conhece e logo pensa: esse é uma perfeita tampinha pra minha panela. Não ganha muito mas se vira bem na vida, surfista, gato, conversa de tudo, trepa bem, é engraçado, carinhoso, atencioso, etc etc etc
MAS, assim perfeito também não dá né gente?! Claro que não aguentei e tive entrar com o pé e ele com a bunda, obviamente nesse raro caso.
Eis o meu dilema, parece que gosto dos safados! E gente, somos mulheres modernas e por isso muito racionais. Só que o racional não desperta borboletas na barriga, não movimenta! Não procuro os safados, pelo menos não racionalmente, mas me atraio por eles! É uma grande merda ser assim, não gosto de ser assim, mas adoro o sentimento que tenho quando o safado também se atrai por mim! Mesmo que dure pouco, é pura adrenalina!
E o dilema é que apesar de me atrair por safados, ainda não consegui desmistificar o Mr. Tampinha da Panela, e então continuo a minha busca por ele em todos os lugares....
Se eu aguentaria esse Mr. T.P.??? Não sei, mas quero muito encará-lo pra contar depois! Porque eu achei vários Mr. T.P., mas eles também cairam por terra com a intimidade, com o tempo, com a perfeição... Um verdadeiro simulacro de quebrar a cara!
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Conto de verão nº 2: Bandeira Branca
Lembrei então que senti esse mesmo tormento quando assisti nos "Contos da Madrugada", da TV Cultura a interpretação desse conto do Luís Fernando Verissimo que transcrevo aqui embaixo para vocês. É lindo! De arrepiar e deixar os olhos marejados. Eu acho!:
Conto de verão nº 2: Bandeira Branca
Ele: tirolês. Ela: odalisca; Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro. Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.
Encontraram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas. Só no terceiro Carnaval se falaram.- Como é teu nome?
- Janice. E o teu?
- Píndaro.
- O quê?!
- Píndaro.
- Que nome!
Ele de legionário romano, ela de índia americana.
Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no Carnaval, a tia é que era sócia.
- Ah.
Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete, e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou na face, disse -Até o Carnaval que vem- e saiu correndo.
No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram. Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:
- Me dá alguma coisa.
- O quê?
- Qualquer coisa.
- O leque. O leque da bailarina.
Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.
No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo, antegozando o momento de encontrá-la outra vez no baile. E ela não apareceu. Marcelão, o mau elemento da sua turma, tinha levado gim para misturar com o guaraná. Ele bebeu demais. Teve que ser carregado para casa. Acordou na sua cama sem lençol, que estava sendo lavado. O que acontecera?
- Você vomitou a alma – disse a mãe.
Era exatamente como se sentia. Como alguém que vomitara a alma e nunca a teria de volta. Nunca. Nem o leque tinha mais o cheiro dela.
Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube – e lá estava ela! Quinze anos. Uma moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.
- Sei lá. Bávara tropical – disse ela, rindo.
Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.
- E aquela bailarina espanhola? – Nem me fala. E o toureiro? – Aposentado.
A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao grupo, alguém disse -Píndaro?!- e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu uma desculpa e afastou-se. Foi procurar o Marcelão. O Marcelão anunciara que levaria várias garrafas presas nas pernas, escondidas sob as calças da fantasia de sultão. O Marcelão tinha o que ele precisava para encher o buraco deixado pela alma. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida, começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Passou todo o baile encostado numa coluna adornada, bebendo o guaraná clandestino do Marcelão, vendo ela passar abraçada com uma sucessão de primos e amigos de primos, principalmente um halterofilista, certamente burro, talvez até criminoso, que reduzira sua fantasia a um par de calças curtas de couro. Pensou em dizer alguma coisa, mas só o que lhe ocorreu dizer foi -pelo menos o meu tirolês era autêntico- e desistiu. Mas, quando a banda começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo -não vale, você cresceu mais do que eu- e encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.
Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos no Rio. Ela disse -quase não reconheci você sem fantasias-. Ele custou a reconhecê-la. Ela estava gorda, nunca a reconheceria, muito menos de bailarina espanhola. A última coisa que ele lhe dissera fora -preciso te dizer uma coisa-, e ela dissera -no Carnaval que vem, no Carnaval que vem- e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai tinha sido transferido para outro estado, sabe como é, Banco do Brasil, e como ela não tinha o endereço dele, como não sabia nem o sobrenome dele e, mesmo, não teria onde tomar nota na fantasia de falsa bávara-
- O que você ia me dizer, no outro Carnaval? – perguntou ela. – Esqueci – mentiu ele.
Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Os filhos dele moram no Rio, com a mãe. Ela, o marido e a filha moram em Curitiba, o marido também é do Banco do Brasil- E a todas essas ele pensando: digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu
terça-feira, 5 de abril de 2011
Dividindo o lenço
Juntou dinheiro e veio lá do Pará para encontrar o Mr Severino em São Paulo e ele, para começar, nem lembrava da coitada! Depois, a segunda surpresa: ele foi ordenado PADRE a 15 anos!!!
Vcs acham que ela se abateu?!!! Nãããooooo, ela é uma de nós!!! Riu da história falando que pelo menos foi para Deus que ela perdeu e não para outra mulher!!!
Para consolá-la a Hebe levou o ídolo dela ao programa: o Amado Batista!!!
Meu lenço é da Miss Ana!!!!
segunda-feira, 4 de abril de 2011
LARGA O CALDEIRÃO, SEVERINA
De todas as histórias que eu tenho, a única que ainda não me sinto preparada para contar é a do meu primeiro trastenamorado (o que eu chifrei "sem querer" com o mocinho famoso da regata marrom, lembram?!). Não sei, não consigo achar graça no que aconteceu... A lembrança mais forte ainda é o sofrimento. E não estou falando em coração partido não! Estou falando de incessante dor física e mental.
O traste era meu amigo, em certo ponto, meu melhor amigo. Mas eu gostava dele, me apaixonei por ele à primeira vista e então teimei, teimei, teimei até que ele virou meu namorado. É irônico... na vida, as vezes, é quando a gente acha que ganhou que na verdade perdemos. Não tinha como dar certo...
Foi em uma madrugada de desespero, depois de mais uma briga horrorosa com o traste, que liguei para o meu pai em busca de consolo e ele, muito fofo, reconhecendo em mim a teimosia hereditária, me contou, com toda paciência que lhe é peculiar, a história do urso:
"Uma vez uns caçadores montaram acampamento na floresta e, quando saíram para caçar, deixaram uma sopa cozinhando para comerem na hora que voltassem. O cheiro da sopa era delicioso e um urso logo quis experimentar o que tinha ali. Mas ele era urso e não sabia que o caldeirão da sopa deveria estar muito quente, então ele foi até a fogueira e abraçou o caldeirão. O caldeirão começou a queimá-lo, mas ele tinha tanta vontade de comer aquela sopa que quanto mais ardia mais ele apertava o caldeirão. Os caçadores, de longe, ouviram os gemidos de dor do urso e correram para o acampamento, mas quando chegaram lá o urso já estava dando seus últimos suspiros. Ele queria tanto provar a sopa que acabou morrendo abraçado ao caldeirão." E continuou: Você, filha, é uma menina inteligente, não é como o urso. Você tem que soltar o caldeirão, porque ele está te matando.
Para ter certeza que tinha deixado tudo bem claro meu pai ainda acrescentou: Você entendeu que o caldeirão, no seu caso, é o traste, né?!
Eu tinha entendido! Minha irmã entendeu, minhas amigas entenderam e tenho certeza que vocês também entenderam! Mas como se deixa de ser teimosa?!!! Como se abandona o otimismo e se supera a negação?!!! Pior, como se mata essa Pollyana idiota que vive dentro de cada uma de nós sempre brincando do jogo do contente?!!! Essa receita papai não deu!
Eu francamente não sei o que me move... Até hoje eu também prefiro deixar o osso apodrecendo na boca a largá-lo para alguma vira-lata pegar! Deve ser algum tipo de instinto territorialista primitivo ou um prazer sádico subconsciente, sei lá...
O que eu sei é que muitas vezes tive inveja do urso... Ele, pelo menos, tem a seu favor o fato de ser irracional, eu não!